Há ervas daninhas?

 




Antes de mais gostava de vos dizer, que as ervas de daninhas não têm nada. O termo "daninhas" é muito mal aplicado. Tecnicamente chamamos-lhe infestantes.

Também não o escolheria. Também se usa o termo Espontâneas, para mim o mais apropriado.
Vamos lá perceber melhor este mundo das ervas 

Se há altura do ano em que as ervas invadem as culturas numa luta desproporcional é na Primavera. O calor, a luz e a humidade que ainda anda no ar, são os ingredientes perfeitos para o descontrole. 

Mas serão as ervas espontâneas um mal necessário, um bem que não sabemos aproveitar, um empecilho ou uma mais valia? 

O facto de invadirem sem autorização todos os pedacinhos de solo é sem dúvida um abuso, um abuso e um problema. 

Mas há várias formas de lidar com elas: 

Há quem veja apenas ameaça. Na produção convencional são um problema a eliminar. O herbicida selectivo, produto químico que mata todas as ervas espontâneas, deixando as culturas intactas, é o melhor amigo do agricultor convencional. Herbicida e produção convencional andam de mãos dadas, não há melhor "arma" no combate aos custos de produção. Pulveriza-se com herbicida e já está. Morrem as espontâneas, ficam as culturas. 

Claro que visualmente adoramos ver um campo cheio de alfaces em fila, sem uma única ervinha. Adoramos, até perceber que não faz sentido. 

Há quem veja nas espontâneas uma mais valia. Na produção biológica são uma grande ajuda. Sim, convêm que se mantenham controladas entre as culturas, mas é essencial que lhes seja permitido invadir alguns espaços das propriedades. São a casa para uma infinidade de bons insectos, ajudam a manter a humidade do solo e a conservar a biodiversidade. 

Para alem disso há mil e uma espontâneas que são super úteis. Umas com fins medicinais, outras excelentes para usar na cozinha, exemplos de espontâneas são as urtigas no Inverno e as beldroegas no verão. 

Durante os primeiros anos de produção fazia-me muita confusão ver os campos "desarrumados", cheios de ervas. Agora é o contrário. Campos sem ervas são campos sem vida. 

A natureza teima em oferecer-nos tantas coisas maravilhosas, que as saibamos identificar, cuidar e manter para que nunca nos faltem. 


1 comentário:

  1. Adorei « o artigo », quer pela clareza e fluidez da escrita, quer pela informação que transmite. E, ainda , pela sensibilidade e amor à terra que caracterizam a autora.

    ResponderEliminar

© A vida de uma alface
Design:Maira Gall.